Sindicato das Seguradoras
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O volume de vendas das seguradoras registrou queda de 21% em abril contra março deste ano e 26% em relação a abril de 2019. “Isso sinaliza que teremos um segundo semestre muito difícil. Mas como somos otimistas, sabemos que temos também muitas oportunidades para criar produtos que atendam às demandas criadas pela pandemia”, disse Marcio Coriolano, presidente da CNseg e diretor-presidente da Fenaseg na abertura do quinto encontro da série ‘CNseg Webinars’, responsável por fazer a mediação do evento que trouxe a visão dos presidentes dos Sindicatos das Seguradoras sobre o mercado de seguros na COVID-19.

O primeiro a trazer informações aos internautas foi Antonio Carlos Costa, presidente do Sindseg RJ/ES e diretor Regional da HDI Seguros, que comanda o sindicato que tem 12% de participação em vendas no mercado de seguros. Antonio Carlos Costa, do Sindseg RJ/ES, iniciou sua participação lembrando a situação em que o estado do Rio já se encontrava antes da pandemia, “recuperando-se de uma longa crise”, diferentemente do Espírito Santo que, segundo ele, “devido ao equilíbrio de suas contas, tinha uma expectativa de crescimento acima da média nacional para 2020”.

No primeiro trimestre, ambos estados apresentaram crescimento nas vendas. Mas em abril, com um mês completo de isolamento social, os dados mostram o impacto nas vendas. Em abril, números preliminares da Susep, já com o isolamento em todo o mes, o Rio registrou queda de 19% sobre março desde ano e 25% sobre marco de 2019. O Espirito Santo seguiu a mesma curva declinante em 18% e 29%, respectivamente. “Já começamos a sofrer bastante como citou Coriolano”, disse.

Costa destacou várias iniciativas das seguradoras para manter seus clientes, como desconto e facilidades aos corretores, mas “quando avaliamos a queda das vendas de carros novos, percebemos que falta matéria prima para os corretores trabalharem”. Também sugeriu que o serviço de telemedicina seja incorporado ao seguro residencial, como uma inovação que trará de fato um beneficio ao consumidor, bem como uma melhor comunicação do setor sobre explicar aos consumidores o que realmente tem cobertura ou não. “Certamente neste pós pandemia o consumidor demandará informações mais claras e objetivas”.

Como reflexos permanentes da pandemia no setor, Antonio Carlos afirmou estar notando a aceleração da digitalização de processos e canais. E prevê um aumento da demanda por seguros de crédito, viagem, D&O, garantia judicial, cibernético e “no show”. O Presidente do Sindseg RJ/ES alertou, ainda, para a necessidade de simplificação dos produtos e da comunicação, visto que, frente a incertezas, os consumidores desejarão entender cada vez melhor as coberturas que estão adquirindo.

Altevir Prado, presidente do Sindseg PR/MS e superintendente executivo regional Sul da Bradesco Seguros, destacou que a crise dramática que assola todo o Brasil não se repete em sua região Sul do país. Em MS 22 obitos decorrentes da Covid. Já o Paraná, estado mais populoso, apenas 243 obtidos, sem nunca passar de 50% dos leitos de UTI ocupados. “Esta realidade é uma das responsáveis por não termos tido uma queda tão acentuado como os índices nacionais”, comentou, ressaltando a vocação da região para o agronegócios. “A demanda dos produtos do agronegócios não caiu nem internamente como para exportação”.

Ele destacou que nenhuma seguradora “quis inventar a roda”. “Antes de lançar produtos inovadores, é preciso fazer bem feito o que já vinha em curso. E foi essa a nossa realidade”, citou. Em relação as facilidades implementadas para facilitar o dia a dia com a pandemia, como vistoria remota, ele espera que seja mantido, mas dependerá do comportamento da sociedade”.

Essa realidade, segundo Altevir, somada à forte vocação da região para o agronegócio, contribuiu para que não fosse observada uma queda tão acentuada na arrecadação do setor, como a ocorrida em outras regiões do país. E destacou: “O ‘show’ de tecnologia apresentado pelas seguradoras possibilitou a entrega de um atendimento ainda mais eficiente, por meio dos canais digitais, para corretores e clientes”. Sobre os impactos econômicos de longo prazo da pandemia no setor, Dias afirmou: “Historicamente, o mercado de seguros não acompanha necessariamente as ondas de queda dos demais, como o observado nas últimas três grandes recessões.”

Waldecyr Schilling, presidente do Sindseg SC e diretor comercial regional Sul da Zurich Seguros, ressaltou que Santa Catarina é um estado treinado para lidar com eventos aleatórios. “Tivemos apenas 177 óbitos por Covid-19 até o momento, o que mostra que o estado vem se comportando bem. Somos um estado acostumados a lidar com adversidade, como os tornados que nos causaram tantas perdas no passado”, citou.

O estado de Santa Catarina, diz Schilling, não apresentou queda nas receitas no primeiro trimestre de 2020. Também informou que o seguro de responsabilidade civil registrou, nesse período, crescimento de 56,6% – em relação ao mesmo período do ano passado- , e o de garantia estendida, 44%, “apesar de se prever uma queda a partir de abril, mas menor que a de outros estados”. Como tendências, o presidente do Sindseg SC aponta para o crescimento do seguro rural, “por força do agronegócio na região”; dos seguros cibernéticos, “uma vez que o Brasil é um dos principais alvos de ataques de hackers”, e dos seguros de automóvel, “com a cobertura intermitente”. Entretanto, alertou que os profissionais do seguro precisam se preparar para melhor atender e agregar mais valor ao consumidor, “cada vez mais informado, exigente e conectado”.

Segundo Guilherme Bini, presidente do Sindseg RS, o mercado segurador vai continuar crescendo devido à sua importância para a sociedade e para a economia. Segundo Bini, essa situação pôde ser bem demonstrada com a atual crise sanitária, devido ao pagamento das indenizações e, também, pela contribuição das seguradoas na instalação de leitos, doação de equipamentos e incentivo a pesquisas. No entanto, alertou: “A retomada não será fácil, sendo importante utilizar todo o conhecimento adquirido nesse momento de pandemia para melhor adaptar os produtos de seguro e os canais de atendimento às necessidades dos consumidores. “Nosso cliente é hibrido em termos de hábitos de consumo; alguns preferem os canais digitais e outros, não”, afirmou.

Ativismos legislativo e judicial preocupam e podem levar ao abalo dos fundamentos do seguro

Lembrando que a Confederação Nacional das Seguradoras tem como uma de suas principais funções a interlocução do setor junto aos poderes constituídos, Marcio Coriolano alertou para outros desafios enfrentados nesse momento de pandemia, que são “a exacerbação dos ativismos judicial e legislativo”, com a existência de centenas de projetos de lei que pretendem ampliar as coberturas e responsabilidades do setor segurador. Coriolano enfatizou que o setor é extremamente técnico e tais decisões podem abalar os fundamentos do seguro, comprometendo a sua sobrevivência e, consequentemente, a proteção dos segurados. Entretanto, afirmou, além do forte trabalho da CNseg de explicar esses fundamentos aos poderes constituídos, há uma forte confiança no órgão regulador, “que está atento a essas questões”.

Ao finalizar o evento, o presidente da CNseg enfatizou: “A dificuldade será ultrapassada e o momento é de união para se alcançar o mesmo propósito”.

A gravação do webinar está disponível no portal cnseg.org.br.

Fonte: Site Sonho Seguro

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