Sindicato das Seguradoras
31 3271.0770

A decisão do governo do Distrito Federal de perdoar as multas dos motoristas que foram flagrados trafegando sem o farol baixo durante o dia, desobedecendo à lei que entrou em vigor no dia 8/7, não será suficiente para aliviar o bolso dos brasilienses, que amargam prejuízos desde que o uso passou a ser obrigatório. Isso porque muitos condutores estão esquecendo de desligar o equipamento ao sair do carro e acabam ficando na mão com a bateria descarregada.

Além de recorrer ao seguro, os donos de veículos estão procurando oficinas elétricas para instalar um aparelho que apaga o farol automaticamente quando o carro é desligado. Neste caso, o “investimento” sai a R$ 100. No caso de a bateria descarregar e a “chupeta” não adiantar, uma nova não sai por menos de R$ 380.

A empresária Charlotte Vilela , 41 anos, teve que acionar duas vezes o seguro para conseguir sair com o veículo na última semana. “Cheguei em casa por volta das 14h. Estacionei, mas esqueci a lanterna ligada. Só fui lembrar às 21h. O carro não ligava e foi preciso pedir ajuda duas vezes na mesma noite”, lembra.

O funcionário do seguro chegou a contar para a cliente que os chamados para restabelecer a energia de automóveis aumentaram após a validade da lei. “Não sou contra. Acho válida toda iniciativa para aumentar a segurança no trânsito, mas gostaria de ver os números, estatísticas que comprovam a eficácia da medida”, argumenta Charlotte. Para evitar novos transtornos, ela decidiu adotar uma medida caseira, mas eficaz: afixou bilhetes no painel do carro lembrando não apenas de ligar, mas de apagar o farol.

O movimento nas oficinas mecânicas aumentou em menos de uma semana. Segundo Clayton Silva, que trabalha em uma loja da Asa Sul, a procura por reparos cresceu 70%. “Somos chamados para fazer a recarga da bateria, a famosa “chupeta”, e até mesmo trocar a peça. Tem aumentado, ainda, a procura para instalar um dispositivo que aciona e apaga o farol automaticamente”, explica.

A servidora pública Nayara Storquio, 26 anos, também recorreu aos lembretes para escapar dos gastos inesperados. Colocou bilhetes no carro para não esquecer de cumprir o que determina a lei. “Uma semana antes da lei entrar em vigor, fui tentando me acostumar a sair com o farol ligado. Na sexta (8/7), deixei o carro no estacionamento do trabalho e, quando voltei para ir embora, ele não ligava mais, conta.

“O jeito foi chamar o Uber”, lembra Nayara. A servidora defende a não obrigatoriedade da lei dentro do Distrito Federal. Ressalta que o uso é fundamental em grandes rodovias, mas no perímetro urbano acredita que não há necessidade.


Agravante

O Sindicato das Empresas de Seguros Privados, de Capitalização, de Resseguros e de Previdência Privada (Sindseg) informou ainda não ter estatísticas sobre o aumento da procura, mas reconhece que problemas elétricos podem ser agravados.

“Temos muitos pedidos por falta de gasolina e pane elétrica. Agora, pode ser que a bateria desses automóveis que já apresentam problemas fique mais desgastada. A melhor solução é alertar o motorista para que fique atento ao sair do carro.” Informou o diretor do Sindseg no DF, Carlos Cavalcante.

Em entrevista à coluna Entre-Eixos do Metrópoles, o engenheiro Gerson Burin, coordenador técnico do Cesvi Brasil, explicou que o uso do farol nas rodovias e túneis, conforme estabelece o Código de Trânsito Brasileiro, não interfere significativamente na vida útil dos componentes do veículo. O raciocínio vale tanto para a lâmpada quanto para a bateria.

Nesta segunda, o governo do DF anunciou que todas as infrações registradas entre o dia 8 e hoje serão anistiadas, desde que o motorista não seja reincidente. A partir de terça (19), as multas voltam a ser registradas e cobradas.

Fonte: Site Metrópoles

Crédito da foto: Rafaela Felicciano

Ano

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER E OUTRAS NOVIDADES