Presidente do SindSeg MG/GO/MT/DF e diretora da Tokio Marine, executiva defende meritocracia, gestão de riscos e eficiência sustentável em um setor em transformação
Chegar ao cargo de diretoria em um setor tradicionalmente masculino como o de seguros simboliza, para Andreia Padovani, a consolidação de uma trajetória construída com consistência, dedicação e foco em resultados. “Ao longo de mais de três décadas de atuação no mercado segurador, percorri diferentes posições de liderança, em distintas regiões do país, sempre orientada pela competência técnica, pelo diálogo e pelo compromisso com o desenvolvimento das pessoas e dos negócios”, afirma. A experiência acumulada ao longo do tempo moldou uma liderança pragmática, voltada à entrega e à governança.
A vivência como mulher influenciou diretamente sua forma de liderar. “Minha gestão é baseada na escuta ativa, na colaboração e na valorização do trabalho em equipe”, diz. Conciliar múltiplos papéis ao longo da carreira ampliou sua visão sobre empatia, priorização e presença — elementos que hoje fazem parte do seu modelo de liderança. “Essa combinação de sensibilidade, visão estratégica e responsabilidade contribui para decisões mais assertivas e para a construção de uma cultura organizacional ética, inclusiva e sustentável”, completa.
Apesar dos avanços recentes na agenda de diversidade, Andreia avalia que persistem desafios estruturais e culturais. Um deles é a baixa presença feminina em cargos estratégicos, que costumam ser o principal caminho para a alta liderança. “Ainda há inconsistências nos processos de avaliação e promoção”, observa. Para acelerar o avanço, ela defende meritocracia de fato. “É essencial adotar critérios claros de desempenho, ampliar a diversidade nas lideranças e criar ambientes que respeitem e valorizem diferentes formas de liderar.” Mais do que metas, segundo ela, é necessário compromisso real com inclusão, desenvolvimento profissional e igualdade de oportunidades.
Olhando para 2026, Andreia enxerga um setor pressionado por três vetores centrais: transformação digital, gestão de riscos cada vez mais complexos — com destaque para os climáticos — e a busca por eficiência com rentabilidade sustentável. “A inteligência artificial e o uso avançado de dados terão papel central na precificação, no atendimento e na prevenção de riscos”, afirma. Em paralelo, mudanças regulatórias exigirão agilidade, disciplina e governança sólida.
A preparação, explica, passa por investimentos contínuos em tecnologia, capacitação de pessoas, inovação de produtos e fortalecimento da cultura de gestão de riscos. “Tudo isso com foco no cliente e na sustentabilidade do negócio”, resume, destacando a importância de decisões baseadas em dados e de processos robustos para navegar um ambiente mais volátil.
Para as mulheres que almejam posições executivas, Andreia reforça que competência técnica segue sendo essencial, mas não suficiente. “Liderança exige visão estratégica, capacidade de adaptação, comunicação clara e inteligência emocional.” Ter coragem para se posicionar, buscar desafios e construir redes de relacionamento também é determinante. Ao olhar para o início da própria carreira, deixa um conselho direto: “Não é preciso esperar estar 100% pronta para assumir novas responsabilidades.” Confiança, consistência nas entregas e disposição para aprender ao longo do caminho, segundo ela, fazem toda a diferença para avançar com impacto no setor de seguros.
Fonte:
Seguros

