O avanço do crédito imobiliário em Goiás já começa a refletir diretamente no mercado segurador. Entre janeiro e fevereiro de 2026, de acordo com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o seguro habitacional arrecadou R$ 48,6 milhões no estado, alta de 13,6% em relação ao mesmo período do ano passado. O movimento acompanha o aquecimento do financiamento imobiliário, impulsionado pelas novas regras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que entraram em vigor em abril deste ano.
Elaine Fraqueta, presidente da Comissão de Habitacional da Federação Nacional das Seguradoras (FenSeg), explica que o seguro habitacional, que é obrigatório em financiamentos imobiliários, funciona como uma proteção financeira para famílias e instituições financeiras em casos como morte, invalidez permanente e danos físicos ao imóvel. “O desempenho do segmento acompanha o aumento da contratação de crédito imobiliário no País e a ampliação do alcance do programa habitacional federal”, disse.
Dados da CNseg mostram que, nacionalmente, os prêmios emitidos pelo seguro habitacional cresceram 11,3% no primeiro bimestre de 2026, somando R$1,4 bilhão apenas. Para o fechamento do ano, a entidade projeta expansão de 12,8% no segmento, puxada justamente pelo Minha Casa, Minha Vida.
Em Goiás, o cenário é reforçado pelos investimentos recentes no programa habitacional. Segundo o governo federal, entre 2023 e 2025 foram contratadas 138,3 mil unidades habitacionais no estado, com investimentos de R$ 20,7 bilhões. A expectativa é de que as novas regras ampliem ainda mais o acesso ao financiamento imobiliário em 2026.
Entre as mudanças já em vigor estão a ampliação das faixas de renda do Minha Casa, Minha Vida e o aumento do teto dos imóveis financiáveis. As novas regras elevaram o limite de renda familiar para até R$ 13 mil mensais na faixa 4 e ampliaram o valor máximo dos imóveis para até R$ 600 mil, dependendo da modalidade. A atualização também incluiu aumento dos tetos de financiamento para municípios como Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis.
O orçamento do FGTS destinado à habitação em 2026 chegou a R$ 144,5 bilhões, incluindo R$ 12,5 bilhões voltados para descontos habitacionais. A expectativa do mercado é de que as mudanças possam beneficiar até 170 mil famílias em Goiás.
Para o Alexandre Rodrigues Moreira, diretor do Sindicato das Seguradoras do estado, na prática, o novo desenho do programa amplia o número de famílias elegíveis ao financiamento e aumenta a quantidade de imóveis enquadrados nas condições subsidiadas ou com juros reduzidos. Esse movimento tende a impulsionar não apenas o setor da construção civil, mas também atividades ligadas ao crédito e à proteção financeira dos imóveis.
“O desempenho do seguro habitacional em Goiás reforça como o avanço do financiamento imobiliário impacta diretamente a cadeia econômica ligada à moradia, incluindo o mercado segurador, que atua como instrumento de proteção patrimonial e estabilidade financeira para milhões de brasileiros”, disse.
Sobre a CNseg
A Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg) congrega as empresas que compõem o setor, reunidas em suas quatro Federações (FenSeg, FenaPrevi, FenaSaúde e FenaCap). A missão da CNseg é prover serviços que melhoram a vida das pessoas e a realização dos negócios, permitindo o crescimento da economia brasileira.
Fonte: A Redação

