Levantamento global da MetLife revela que esporte, educação e mentoria desde cedo moldam a confiança e a resiliência ao longo da vida
Em um cenário marcado por pressão econômica, instabilidade e mudanças constantes, um novo estudo global da MetLife aponta um paradoxo importante em torno da educação financeira: enquanto a maioria das pessoas se considera resiliente, poucas se sentem preparadas para lidar com retrocessos quando eles ocorrem. Segundo a pesquisa, a confiança das pessoas cai 72% quando elas enfrentam contratempos reais, como uma crise financeira ou um problema emocional. O relatório Confident Pathways, realizado nos Estados Unidos, Reino Unido, Japão e México ouviu 4 mil pessoas entre abril e maio deste ano para entender como a confiança é construída e mantida ao longo da vida.
Embora características como persistência, adaptabilidade e otimismo sejam amplamente reconhecidas, os dados revelaram que 57% das pessoas se descrevem como persistentes e 52% dizem conseguir lidar com mudanças. Quando o tema é a capacidade de recuperação financeira, esse número cai para cerca de 20%, evidenciando um descompasso entre percepção e preparo, dado que também aparece nos hábitos cotidianos. Os dados indicam que disciplina e organização, embora importantes, não são suficientes para gerar sensação de segurança diante de situações adversas.
Em um momento em que o futebol reúne pessoas e comunidades ao redor do mundo, o estudo também evidencia como experiências na infância — como esporte, educação e mentoria — podem fortalecer a resiliência e a confiança desde cedo. Os resultados destacam o papel das oportunidades, do preparo e do apoio na construção da confiança, fatores que ajudam as pessoas a lidar com incertezas, se recuperar de adversidades e perseguir seus objetivos.
Principais insights do relatório, publicado nessa semana
- A confiança cai 72% quando adultos avaliam sua capacidade de se recuperar de contratempos. Os entrevistados tendem muito mais a se descrever como resilientes do que a se sentirem confiantes em sua capacidade de se recuperar de desafios financeiros, emocionais ou pessoais.
- Experiências na infância ajudam a construir confiança e resiliência. Mais da metade dos adultos que praticaram esportes na infância afirmam que essas experiências ajudaram a desenvolver confiança (56%) e perseverança (52%). Pais acreditam amplamente que esportes, aulas de reforço e programas de mentoria fortalecem resiliência e confiança das crianças — com esportes coletivos em primeiro lugar (65%), esportes individuais (55%) e programas de tutoria e mentoria (51%).
- O preparo é essencial para a confiança. Adultos que adotam medidas proativas — como fazer orçamento, poupar ou manter seguro de vida — têm 20 vezes mais chances de acreditar que conseguem se recuperar de contratempos.
- A conexão social continua sendo um desafio. Menos da metade dos adultos se sente apoiada por amigos (41%) ou pertencente à comunidade (31%), indicando fragilidade nos sistemas de apoio. Embora 57% das pessoas se descrevam como persistentes, 52% afirmem conseguir lidar com mudanças e 51% se mantenham otimistas em relação ao futuro, essa percepção não se traduz em segurança diante de situações reais. Apenas 30% avaliam sua própria resiliência como alta e esse número cai para 20% quando o tema é a capacidade de recuperação financeira.
Paralelo com a realidade no Brasil
Os achados do estudo dialogam com a realidade brasileira, onde percepção e preparo também não caminham no mesmo ritmo. A 17ª edição da pesquisa Observatório Febraban, realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE) e publicado em 2025, indicou justamente que a maioria dos brasileiros (55%) admite entender pouco (40%) ou nada (15%) de educação financeira. Na mesma pesquisa, o impacto do endividamento na saúde mental das pessoas também foi trazido como ponto importante, para além da questão financeira. Para os brasileiros que possuem endividamento, mais de 77% afirmam que isso afeta sua saúde emocional ou qualidade de vida.
Para a MetLife, os resultados do Confident Pathways reforçam que a confiança não está apenas na forma como as pessoas se percebem, mas sobretudo em sua capacidade real de enfrentar momentos de instabilidade. Segundo Michael Roberts, Chief Marketing and
O estudo ouviu 4.000 adultos, sendo 1 mil por país, nos Estados Unidos, Reino Unido, México e Japão, entre 14 de abril e 4 maio de 2026, com o objetivo de entender como a confiança é construída, mantida e recuperada ao longo da vida. A amostra foi representativa por idade, gênero e, nos EUA, também por região e etnia.
