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Durante a Semana do Meio Ambiente, celebrada no início de junho, especialistas reforçam a importância de ampliar o debate sobre os impactos das mudanças climáticas em diferentes setores da economia. Entre eles, o mercado de seguros ganha destaque como um agente estratégico na proteção de pessoas, empresas e patrimônios diante de eventos ambientais cada vez mais frequentes.

Embora não seja tradicionalmente associado a temas ambientais, o setor de seguros está diretamente ligado às consequências práticas das mudanças climáticas no dia a dia da população, como enchentes, secas, tempestades e incêndios florestais.

Impactos crescentes e prejuízos bilionários

Dados recentes evidenciam a dimensão do problema. Em 2024, desastres naturais causaram aproximadamente US$ 320 bilhões em perdas globais, evidenciando o aumento da frequência e intensidade desses eventos. [munichre.com]

Apesar do volume expressivo, apenas uma parte desse prejuízo foi coberta por seguros, deixando milhões de pessoas e empresas desprotegidas diante dos danos financeiros.

Esse cenário reforça a preocupação com o chamado “gap de proteção”, termo utilizado para definir a parcela de perdas que não possui cobertura securitária. Em alguns casos, esse índice pode chegar a até 91% das perdas não seguradas, segundo estudos do setor. [cnseg.org.br]

A ausência de proteção amplia os impactos sociais e econômicos, dificultando a reconstrução de moradias, a retomada de atividades empresariais e a recuperação de regiões afetadas.

Brasil enfrenta baixa cobertura e alta vulnerabilidade

No Brasil, o cenário é considerado ainda mais crítico. Entre 2022 e 2024, eventos climáticos geraram cerca de R$ 184 bilhões em prejuízos, número que evidencia a crescente exposição do país aos riscos ambientais. [cnseg.org.br]

Mesmo diante dessa realidade, a penetração do seguro ainda é limitada. No setor agrícola, por exemplo, o seguro rural cobre menos de 8% das áreas cultivadas, deixando produtores altamente vulneráveis a perdas causadas por fenômenos climáticos extremos. [cnseg.org.br]

A baixa adesão a seguros, somada à intensificação dos eventos climáticos, acende um alerta sobre a necessidade de ampliar a cultura de proteção no país.

Seguro vai além da indenização

Especialistas destacam que o papel do seguro não se restringe ao pagamento de indenizações após eventos adversos. O setor também atua de forma preventiva, incentivando práticas mais sustentáveis.

Entre as iniciativas estão:

  • descontos para veículos elétricos;
  • incentivos à instalação de energia solar em residências;
  • desenvolvimento de produtos voltados a projetos de energia limpa.

Esse movimento reforça o papel das seguradoras como indutoras de comportamento, estimulando a adoção de soluções que reduzam os impactos ambientais.

Setor passa por transformação

O avanço das mudanças climáticas tem impulsionado uma transformação no mercado segurador. Hoje, grande parte das companhias já incorpora riscos ambientais em suas análises, ajustando produtos, preços e coberturas de acordo com o novo cenário.

Além disso, o tema climático passou a ser tratado como um dos principais riscos estratégicos para o setor nos próximos anos, influenciando decisões de investimento e inovação.

Essa mudança marca a transição do seguro como um instrumento puramente financeiro para um agente relevante na construção de resiliência frente às mudanças climáticas.

Perspectivas e desafios

Na prática, a evolução do setor pode trazer benefícios como:

  • ampliação de produtos ligados à sustentabilidade;
  • maior apoio na reconstrução após desastres;
  • incentivo a comportamentos mais responsáveis;
  • aumento gradual do acesso à proteção, ainda que esse seja um desafio relevante.

Especialistas apontam, no entanto, que ampliar a conscientização sobre a importância do seguro continua sendo uma das principais barreiras a serem superadas, especialmente em países emergentes.

Uma ferramenta para proteger o futuro

Ao fim, a reflexão proposta pela Semana do Meio Ambiente vai além da preservação da natureza. O debate inclui também a proteção das pessoas, das atividades econômicas e da capacidade de recuperação da sociedade diante de eventos extremos.

Nesse contexto, o setor de seguros surge como um aliado importante.

Mais do que ressarcir prejuízos, ele contribui para reduzir impactos, orientar escolhas e fortalecer a resiliência coletiva em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais evidentes.

Escrito por: Gabriel Salomão e Danilo Costa, membros da Comissão Comissão ESG – Governança, Meio Ambiente e Social

Seguro de A a Z: Acesse aqui o glossário com os principais termos do mercado.